Os Dirigentes e a Mídia Esportiva

23 11 2010

Matéria Especial:

O sucesso na comunicação do Corinthians

Por Alessandro da Mata

        O Corinthians vê a comunicação como forma imprescindível de colocar em evidência uma idéia, emoção, imagem, produto ou serviço. Dá ênfase a um plano de longo prazo, capaz de integrar os representantes do clube e causar a identificação e a fidelização do público-alvo. Age ciente de que o bom marketing de hoje ajudará na crise de amanhã.

    O pontapé inicial foi num mix de publicidade e propaganda, com o slogan “Eu nunca vou te abandonar” nas camisetas. Ação aparentemente simples, óbvia após a queda para o Brasileiro da Série B. Após a era Alberto Dualib, cujo final foi marcado por corrupção e projetos de estádio que nunca saíram do papel, ficou clara a necessidade de posicionar-se com credibilidade. A forma mais profissional teve destaque na nova prática de pagamento de um ídolo no país, através da exploração de sua imagem. Mais recentemente, o clube se envolveu com responsabilidade social, em campanhas pró-Graac e na ressocialização de presos, entre outros. E ganhou até o prêmio de melhor relatório de sustentabilidade de entidades não empresariais da Abrasca, por conta da transparência na condução financeira – a gestão atual manteve a dívida praticamente no mesmo patamar, o que se pode chamar de louvável no cenário das agremiações brasileiras.

    A nova diretoria também usou do jornalismo, do espaço disponível na mídia. Com um monitoramento constante dos órgãos de imprensa, o clube agiu rapidamente diante das principais especulações, boatos ou erros de informação. Claro que ninguém tem o controle pleno dos veículos de comunicação. Mas é essencial dar satisfação pública, se colocar à disposição frequentemente para esclarecimentos, com dados consistentes. Reparou como Mano Menezes evitava a exposição negativa dos atletas e do grupo? Quantas vezes Ronaldo já apareceu para as coletivas de imprensa nas fases mais delicadas da equipe em campo? Além disso, um dirigente não é mais visto falando sobre a pasta do outro, tampouco revelando divergências contratuais com empresários ou jogadores. E mais, na polêmica do Fielzão – em que claramente o Timão foi beneficiado dada a boa relação com a CBF -, existiu toda a condução do fato segundo o que lhe era conveniente. “Nosso estádio não é para a Copa, é para o corintiano. Mas, se as autoridades quiserem utilizá-lo, basta correr atrás do dinheiro para a ampliação”, sugeriu Andrés Sanchez, como se fizesse um favor, e não estivesse ganhando um – o estádio terá isenções de impostos nos materiais de construção e será financiado pelo BNDES (dinheiro público).  Papel de bom-moço reforçado estrategicamente por aliados políticos. “O Corinthians salvou a abertura da Copa em São Paulo”, chegou a frisar o ministro do Esporte, Orlando Silva.

    Criou-se um mito, um mundo paralelo, altamente positivo. E com ele se estabeleceu um espiral do silêncio, que expõe justamente quem fala mal ou critica o Corinthians. Tudo planejado a partir das oportunidades e das fragilidades da mídia esportiva. Ponto para o clube.

Alessandro da Mata é atualmente Editor de Publicações Comerciais e Repórter da Coluna De Prima no LANCE! – O diário dos esportes. Como consultor da G8 Sports- Soluções em Comunicação, ele direciona o conteúdo gráfico e jornalístico de revistas Programas Oficiais, Institucionais e de Eventos esportivos. Agora, formata o curso de extensão “Os dirigentes e a Mídia”, previsto para início em janeiro de 2011, da Trevisan Escola de Negócios.


Ações

Information

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




%d blogueiros gostam disto: